Das coisas que a vida tem

"Amor é aquilo que a gente sente quando perde alguém."

Há pouco mais de três anos comecei a estagiar em uma construtora em ascensão no mercado imobiliário, ela se destacava pelo seu modelo de negócio, obras por administração, não vem ao caso explicar o que isso seja agora pois não tem muita relevância nessa história, mas foi mais ou menos aí que as coisas começaram.

Trabalhei por um ano no setor da Qualidade, e acredite, foi um saco! Além de incompetente, meu chefe tinha um hálito que poucas pessoas poderiam suportar naquela sala de aproximadamente quatro metros quadrados. Ainda na metade do meu contrato de estágio eu pedi para sair da empresa, simplesmente não aguentava mais me subordinar a ele, mas por sorte consegui me destacar pela qualidade do meu trabalho e recebi a proposta de trabalhar no setor de prospecção, que também não vem ao caso descrever o que significa. Foi lá que conheci o Fabio, pessoa competente de personalidade forte que não seria demitida se não contratassem um diretor tão babaca. Mas felizmente ele se saiu bem e logo arrumou um trabalho melhor e propôs que eu fosse com ele. Eu fui.

--
Se eu disser quanto tempo tem que a conheci, provavelmente estarei equivocado, mas tem um numero de anos suficiente para eu não fazer ideia. Seu nome é Rafa e a conheci em uma festa de rua como a grande maioria das garotas que me deram alguma insônia, curioso isso. Rafa é uma menina bastante tímida e meio "bicho do mato", daquelas que o jeito de andar deixa claro que ela não nasceu para uma passarela, mas tinha uma beleza que colocaria em dúvida a afirmativa anterior.

Saí com a Rafa durante alguns anos, não consecutivos, claro, com o número de crises existenciais que me assombram, nada dura muito tempo. Saíamos durante uns meses e eu sumia, depois voltava a mandar mensagens como quem não quer nada e novamente, sem razão aparente, desaparecia. Mas deu para curtir algumas praias, cinemas, jantares...

Ela parecia gostar muito de mim, até fez, por diversas vezes, pressão para que namorássemos, mas acho que o problema que eu via nela era justamente esse. Ela gostava de mim.

--
- Obrigado Fabio. - É o que costumo dizer, às vezes, do nada para o amigo que por duas vezes me arrumou um lugar para trabalhar. Em tom de brincadeira, mas ele sabia que eu realmente era grato pelos esforços que ele fazia por mim. Além dos estágios que me arrumou, ele ainda conseguiu uma bolsa integral de inglês em um curso bastante conceituado, graças ao seu pai ser diretor cultural lá.

Nunca minhas notas foram tão boas quanto nesse curso de inglês, além de ter que manter nota superior a sete para não perder a bolsa (o que seria uma grande falta de respeito com o Fabio), ainda tinha uma linda garota de olhos claros e cabelos loiros que fazia com que eu não faltasse nenhuma aula.

Até hoje eu não entendo como minhas notas eram tão boas mesmo eu prestando tão pouca atenção nas aulas, não parava de olhar para Nat um só minuto, e estranhamente ela correspondia. Pelo menos eu gostava de pensar assim.

--
Perdoem pela falta do marco temporal, o curso de inglês teve início no começo desse ano, assim como o retorno das minhas mensagens para Rafa. Por que ela ainda me tratava bem? Nunca entenderei.

Mais uma vez voltamos a sair, mas dessa teria que ser diferente, eu me sentia envergonhado de estar ali, tomando o seu tempo de novo e do nada "puf..".

Comecei realmente a fazer diferente, queria vê-la todos os dias, chamava para cinema, jantares em lugares caros, qualquer programa que deixasse claro para ela que eu estava de fato mudando. Infelizmente as coisas não estavam indo como o planejado, Rafa estava meio inacessível, dizia que era por conta do pré vestibular e do trabalho, eu procurava entender, passei por essa fase e lembro como foi difícil.

Não vou mentir, eu não saía apenas com a Rafa, mas ela era quem eu mais desejava, pelo menos até aquele momento. Eu meio que tentava suprir a ausência da Rafa por conta da sua falta de tempo com outras garotas, mas eram relacionamentos de pouca importância para ambas as partes (também gosto de pensar assim).

--
Foi então que o jogo começou a virar, a linda menina do inglês, depois de umas semanas de conversas "despretensiosas", aceitou sair comigo. É curioso como a beleza comove tanto! Mais do que qualquer outra coisa que eu consiga lembrar, e comoveu tanto que eu comecei a evitar de sair com a Rafa.

Nat e eu saímos por poucas semanas, mas trocamos mais mensagens que um grupo lotado do WhatsApp poderia fazer em meses.

Comecei a achar que não estava sendo justo com a Rafa, novamente tomando seu tempo sem intenção de seguir em frente. E então, pela primeira vez, terminei com ela formalmente. Ela, sempre superior, sempre muito educada, sempre forte, entendeu e disse que não queria perder contato comigo.

Imagino que você não saiba o quão ruim no Poker a mão 7 e 2 seja, mas foi como se eu tivesse essa mão e desse um all in sem ver as cartas da mesa.

Nas semanas que se seguiram, a Nat e eu paramos de ficar, a Rafa começou a namorar e eu decidi procurar outro estágio. Pelo menos ainda faço curso de inglês.

"Amor é aquilo que a gente sente quando não tem mais jeito,"

--

Peço desculpas, mas não tive tempo de detalhar a história como gostaria, tenho estado um tanto quanto sem tempo, mas vamos conversar sobre isso um dia. Me liga.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Pedido

Eu amo você

Acontece