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Mostrando postagens de 2016

Eu Sozinho no Ponto de Ônibus

Eu sozinho no ponto de ônibus Passa um carro, passa Passa um táxi, passa Passa um ônibus, passa Eu sozinho no ponto de ônibus Passam dois carros, passa Passam dois táxis, passa Passam dois ônibus, passa Eu sozinho no ponto de ônibus Passam três carros, passa Passam três táxis, passa Passam três ônibus, passa A minha condução se aproxima Me movo à frente, faço sinal O condutor me olha e disfarça O ônibus segue normal. ... Eu sozinho no ponto de ônibus Passa um carro, passa Passa um táxi, passa Passa um ônibus, passa.

A Xícara

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Eu costumava passar grande parte do meu dia imaginando inúmeras possibilidades do fim. A frieza de quem sabe exatamente o que está fazendo, um grito descontrolado de quem amou desesperadamente e já não aguenta mais, o choro daquela que foi pega em flagrante ou tomou a atitude errada... Normalmente não é o que acontece e às vezes as lágrimas escorrem do par de olhos que não foram os do planejamento. E dessa vez não foi diferente. As portas do armário abertas, algumas roupas que você não queria mais, jogadas pelo chão do quarto, a xícara de café suja (não que eu também não lavasse, mas era o seu café) e um táxi partindo enquanto eu tentava me levantar com a dor de cabeça de quem não tinha uma ressaca há séculos. Seu plano realmente foi perfeito e inovador, nem nos meus delírios mais loucos pensaria em algo assim. Me embriagar para que eu tivesse um sono pesado e você ter tempo de arrumar suas coisas e brincar do que você chamou de "o que eu odeio em você" para desabafar s...

​ A história de um cordão

​ Não me considero um amante de jóias, mas sempre gostei de carregar algo pendurado no pescoço e era comum que fosse de prata, pelo baixo custo e constância das suas propriedades. Recentemente tive um cordão de prata do qual eu gostava muito. Era uma corrente simples com elos simples que a cada três elos pequenos tinha um maior. Tudo bem simples e eu o adorava. Gostava principalmente do pingente, uma pequena peça de prata que representava uma sacola de dinheiro e que tinha o número 1000 gravado em um de seus lados que eu acabei por raspar depois de um tempo, deixando apenas uma simples sacola do que eu quisesse que fosse. Era como um ritual eu acordar, esticar o braço na direção do meu criado mudo e vestir aquela peça simples e boba que me acompanhava por todos os lados. Muitas vezes eu esquecia de colocar o relógio, ou até de levar comigo o celular, mas aquele cordão sempre me acompanhava. Eu só o tirava para dormir, entrávamos na praia juntos, jogávamos futebol e nem a pata d...

Pedido

Hoje, por conta do acaso, descobri que uma das pessoas mais inteligentes que tive o prazer de conhecer e que certamente teve muita influência no fim das minhas superstições tem um blog. Ou tinha, pois sua última publicação que fora feita em abril de 2015 é uma despedida e um anúncio de que ele não faria mais publicações, mas felizmente deixou o blog ativo para que curiosos como eu possam dar uma olhada. Eu mesmo já tive outro blog do qual acabei por abandonar e, pior que isso, apaguei inúmeras histórias que havia escrito por motivo de raiva, constrangimento ou outro que não consigo lembrar. Mas hoje posso afirmar com segurança que me arrependo de ter "abandonado um projeto" e principalmente de ter apagado o que escrevi. Alguns fatos passados às vezes doem bastante quando lembrados, confesso, mas isso não deveria ser motivo para que sejam apagados. É muito difícil medir o valor que se perde quando apagamos um material que escrevemos num momento de dor e sofrimento, que f...

Eu amo você

Não descobri isso agora, tem um tempo que estava entalado na minha garganta, mas esse sentimento tem crescido tanto que está transbordando dentro de mim, e pronto, agora você sabe! Não que fosse segredo, mas eu tinha medo de estar embolando tudo, botando os pés pelas mãos e me enganando com mais uma sensação leviana. Não era, o tempo passou e a coisa só aumenta. Seus olhos, seu gosto, as horas que passamos no telefone, o jeito como reaparece do nada, o modo como me olhava em sala de aula, as mentiras que conta mesmo sabendo que eu não acredito, os bolos que você me dá, a coragem de encarar aventuras comigo, a maneira maravilhosa que você me fez oral, as fotos que me manda sempre que brigamos, a maneira que mostra não se importar comigo, a vez que me trocou por alguém que te passou mais segurança e até quando você sumiu pra sempre, como eu poderia não me apaixonar? É uma pena, entretanto, que você não seja uma mulher só.